sábado, 4 de outubro de 2008

Falha Humana

Não sou corajosa, por isso escrevo.
Escrever é uma forma de segunda época da vida.
Ao vivo e em cores não sou como gostaria, nem o mundo é perfeito.
Então coloco uma letra depois da outra e tento transformar ressentimento em graça.
Acho que abriria mãos dos textos se pudesse ter sempre uma resposta pronta quando me ofendessem; fosse atrás, sem receio, do garoto por quem me apaixonei; dissesse todas as vezes, exatamente aquilo que penso das coisas, doa a quem doer; mas a vida não é assim, eu não sou essa garota. Aliás, alguém é?
Se houver um julgamento final, acho que Deus deveria pedir, logo de cara, a lista de arrependimentos de cada um. Por ela, o Todo – Poderoso ficaria sabendo tanto as coisas feias que o recém – chegado fez, como as coisas belas que deixou de fazer. Até aqui, acho que não fiz nada de muito horroroso. Já o que deixei de fazer...
“tem mais papel aí, São Pedro?”.

Mais ou menos com 13 anos, eu estudava no Colégio Pinheirense.
As meninas da outra sala, me enchiam o saco! Eu ficava ali, quietinha.
Ah, como me arrependo de não ter gritado com elas, as mandado às favas (ou outros lugares mais íntimos, que não explicitarei aqui), quem sabe, elas me respeitariam mais cedo e do jeito que eu era.

Aos 15 anos eu era apaixonada por um garoto.
Fui a uma festa e lá estava ele. Bom, nos esbarramos na pista de dança e começamos a dançar coladinhos. Metade do meu cérebro se concentrava na dança (se é que era possível), a outra tremia como pipoca na panela: beijo! – não – beijo – beijo! – não – beijo. Beijei? Não, não beijei. Anta cibernética! Ele era todo meu ali!


Poderia dar muitos outros exemplos de pequenos desastres pessoais causados pela covardia e terminar a crônica com alguma moral edificante: “Sendo assim, querida(o) leitora(o)r, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje!”. “Lute pelos seus sonhos!” “Beije ele (a) e não encha o saco!”. Bobagem. A vida é complicada pra caramba. Vivê-la sem problemas não é uma questão de decisão. Aliás, sei lá qual a questão. Se soubesse, não escreveria: viveria e só. Boa sorte.

Dedico à Sarah Bazílio, Ingrid Rayssa, Thayanna Borges, Marcelle Guterres
E a todos que um dia pelo menos pensaram ‘merda, porque eu não fiz isso’


Arrisque mais, pra não se arrepender! fikdik:*

1 comentários:

Anônimo disse...

'beije ele e não encha o saco!' ô minha filhinha, tantas as coisas que me arrependo na vida q nem contando nos dedos consigo. =)

 
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